bordado

Venus in Chains

Quando minha amiga Victória disse que queria um bordado de Vênus com um toque de bondage, eu sabia que era a deixa pra tirar uma referência da gaveta - a Vênus Restaurada do Man Ray. Salvei imagens no meu arquivo de erótica a um tempo, e agora foi  a oportunidade pra trabalhar numa releitura.


Aproveitei as possibilidades do bordado pra fazer um bondage simulando cordas e nós de um jeito que colocasse o material em destaque. Em vez de desenhar couro e fivelas apenas traçando tudo com a linha, usei pontos diferentes pra simular . amarrações. Afinal, as linhas são cordas em miniatura né.

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Depois de tomar várias liberdades e terminar a Venus de um jeito satisfatório, aproveiteii embalo e produzi um Adônis, que  por hora está em guardado comigo. Devo colocar num Etsy da vida em breve, depois que eu juntar material [como uma nova tiragem de leques] pra abrir a lojinha.

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KEVIN

Pintando e bordando os amigos.

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Quase Natal e estou fechando minhas últimas encomendas do ano - o bordado que terminei hoje é um pedido do meu amigo Kevin, que queria uma decoração pro quarto novo. Pensando nisso elaborei um retrato do próprio tentando ser verdadeiro a como ele fica em casa - roendo unhas de loungewear. Normal, cute.

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Aqui embaixo vai o making of  da peça, resumido nos Snaps que tirei no processo. Transferi o desenho para o pano usando lápis aquarelável, que se apagou depois de uns dias, por isso na hora de bordar o rosto fiz um novo rascunho para usar de referência. Arrisquei em costurar "de olho", e ficou cool, como deu pra fazer. 

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O mais legal é que descobri esses dias que o "Kevin" não vai ficar sozinho - Vi que ele também vai ganhar um bordado do seu alter-ego noturno (Maria de) Luxy, bordado pela Thais Kruse. Quero ver como eles se conjugam na parede - duas faces da mesma moeda, dia e noite, dentro e fora de casa, in and out of drag... Interessante né?

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SAMUEL

We love seamen.

Quando eu mostrei meu primeiro marinheiro bordado pro meu amigo Bert [que citei no post original porque ele me deu o livro que inspirou todo o negócio], ele se animou pra me encomendar um marinheiro também. Ele me deixou livre pra fazer o que quisesse, contando que referenciasse o livro.

When I showed my first embroidered seaman to my good friend Bert [and name-dropped him on this blog for giving me the book wich inspired both me and that work], he liked it very much and asked me to make a seaman for him too. His only request was for it to be also inspired by the book. 

Depois de passar o olho pela biografia buscando novas idéias, pensei que o melhor seria fazer um retrato do próprio Samuel Steward, cuja vida fantástica estava naquelas 478 páginas. Daí parti pra pintar e bordar esse homem. 

So, after flipping the book for ideas I thought "what better subject than Samuel Steward himself, whose life and ventures fill these incredible 478 pages?" Off I went, then, to draw this incredible man.

Decidi copiar o retrato do cara adaptando as linhas do desenho pra esse formato. Também brinquei com cores e design pra compôr um layout, e emprestei uns truques do bordado da minha mãe pra reproduzir as tatuagens florais do cara de um jeito diferente.

I've decided on drawing his likeness adapting the lines to fit the medium and playing with colors to get a nice graphic layout. I've worked on it for some time, and as a final touch, took a cue from my mom's embroidery tricks and gave his flower tattoos a little flair using mostly ribbons instead of threads.

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Fiquei satisfeito com esse bordado, ele está divertido e fotografa super bem. Apesar da corda não estar perfeitamente simétrica, deixei-a assim pra dar um charme artesanal pro objeto. E talvez esse não esteja no fim - Bert perguntou se eu arranjaria uma moldura especial, e eu acho que conheço a pessoa perfeita pra fazer isso. Vejamos como tudo sai.

I'm quite pleased with this one. It's fun, cute and looks good on the wall even tho the left side of the rope border is a itsy-bitsy wonky [I won't "fix" it. I think it gives a made by hand charm, also, Bert didn't mind]. And maybe it's not done just yet: Bert asked if we can get a fun frame - and I think I know the right guy to do it. We'll see.

IZM + Clube do Bordado: Bordado 101

Vamos falar de bordado?

O Clube em 2015: Camila Gomes, Marina Dini, Laís Souza, Renata Dania, Vanessa Israel e Amanda Zacarkim

Eu tenho uma historinha com as meninas do Clube do Bordado: nos conhecemos num Pop Porn e colaboramos na Love Porn. Eu as admiro e respeito tanto que quando comecei a desenhar com agulha e linha, contei com elas pra pedir umas dicas de comadre bordadeira. O texto aqui embaixo é um papo que tivemos via Google Docs.


Quando comento que estou fazendo um bordado [e não que estou bordando], a galera fica toda impressionada. Quer dizer, até um tempo atrás toda jovem bordava, como hobbie até. No "As Meninas", meu livro favorito, Lorena fala pro Guga trazer uma camisa que ela borda um patinho "na perfeição". Era mais um passatempo que um presente. E não precisa ir muito longe - na casa da minha mãe tem revistas dos anos 70-80 só ensinando a fazer isso.

É incrível como o costume meio que sumiu, sendo que hoje em dia dá pra aprender a fazer ponto perguntando pra qualquer tia, ou olhando um vídeo no youtube. Até achei que a galera estava perdendo moral e bons costumes porque se todo mundo fazia, não devia ter tanto mistério. Além de tudo, a impressão que eu tinha com a minha mãe bordando em casa e com as séries de vocês a toda, era de um trabalho super tranquilo.

Isso foi até eu começar o meu primeiro bordado.

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Só Jesus sabe como isso me deu trabalho - não imaginava que bordar pedia tanto tempo e esforço! Vi que não é porque é mais ou menos simples que é um processo fácil. Depois de bordar um desenho inteiro do começo ao fim eu tiro meu chapéu e dou parabéns pra vcs que estão levando a produção a sério e o negócio pra frente.

A história é a seguinte: um amigo me encomendou um bordado e eu aceitei o serviço mesmo não executando um bordado completo até então. Mas aceitei confiante que daria conta, vendo a encomenda como uma ilustração, só que em outro formato. Ele me pediu um marinheiro, e eu ia desenhar com agulha, não é interessante? No mais, eu teria minha mãe pra me ensinar a técnica, e me emprestar (dar) material. Só precisaria de esforço, dedicação e inspiração.

Claro que minha única certeza é que o layout do bordado ficaria bom [no que eu posso fazer], mas o objeto ainda corria o risco de ficar uma bagunça. Daí fui na humildade e fiz um teste bordando a figura do começo ao fim em um bastidor um pouco menor que o planejado. Um tempão e vários snaps depois, peguei a prática que precisava pro original, mas nesse tempo tive vários problemas e umas dicas amigas seriam muito bem aproveitadas, se eu tivesse as pedido a tempo.

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Como por exemplo, num dia que levei o bordado pra uma feira de rua, eu vejo vocês fazendo isso, as fotos do insta ficaram ótimas. Só não me toquei que é preciso todo um cuidado; tinha colocado o bordado dentro da bolsa e ele se sujou [olhando bem, isso não foi muito prudente]. Como sair com o bordado por aí, vocês embrulham em papel de seda, pôem numa caixa, ou envolvem em pano mesmo? No mesmo pano que está sobrando no bastidor?

Renata: eu sempre uso aqueles saquinhos de tecido onde vem sapatos ou roupas quando você compra na loja, sabe? eu sempre guardei esses saquinhos para embalar coisas de viagem e organizar coisas nos armários. Desde que comecei a bordar sempre separo as cores de linhas, tesoura, bastidor e risco em um saquinho e só tiro de lá quando o bordado acaba. Acho bem importante ter algum lugar pra colocar o bordado e protegê-lo da sujeira e do contato com outros objetos, que podem “machucá-lo”. 

Amanda: No começo eu andava com o bordado ‘em progresso’ dentro da bolsa sem muitas preocupações… Por sorte não acabei sujando ou estragando todo o trabalho. A coisa melhorou quando comprei um organizador de bolsa - tipo um case para iPad com divisórias para celular e carregador feito de um material resistente - e passei a usá-lo para o bordado: onde iria o iPad eu coloco o bastidor com o tecido que está sendo bordado; onde iria o celular deixo uma caixinha de agulhas, tesouras e linhas da vez. Assim o que estou bordado está sempre comigo na bolsa ou mochila e essa praticidade já me salvou de bons momentos de espera ou tédio nos lugares mais improváveis. 

Camila: em saquinhos de sapato tb.

Vanessa: sempre guardo num saco de sapato e coloco esse saco dentro de uma sacola plástica. Tudo porque já aconteceu de uma bala derreter e melar bordado, saquinho, tudo. Mas assim, eu não tenho a competência necessária pra bordar enquanto muitas coisas acontecem ao meu redor (parques, feiras, etc). Então, se vou pra rua com ele é mais pra fazer charminho mesmo. rs 

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As vezes uma galera parava pra olhar. E daí fiquei meio nervoso e já senti um calor na testa. E nas mãos, acontece que minhas mãos suam, e acho que isso sujou o bordado, reparei que o tecido começou a ficar encardido depois de um tempo. Tá que fazer arte é se sujar, literalmente, de um jeito ou de outro, mas se não é opção lavar as mãos a cada ponto, o que fazer, existe lavar o bordado? Ou usar luvas cirúrgicas? 


Renata: Olha, não sei muito como te ajudar com essa questão da sudorese. Acho que você podia testar as luvas cirúrgicas para ver se se adapta. Sobre lavar as mãos, é importante sempre lavá-las antes de começar a bordar porque o tecido suja com facilidade, mesmo. 

Amanda: É engraçado quando as pessoas param para olhar, né? No começo eu bordava na minha hora do almoço em qualquer lugar que pudesse sentar tranquila. E assim já bordei em cafés da Paulista e na Livraria Cultura, principalmente. As pessoas ficavam chocadas! Vinham perguntar o que era aquilo e eu nem acreditava em tamanha comoção, rs. Eu acho que pode existir lavar bordado depois de pronto caso o tecido suje, mas se você estiver 100% seguro da qualidade das linhas usadas, para que elas não manchem. Mas aí o desafio seria passar com perfeição o tecido lavado e seco sem queimá-lo. Entre esses riscos e a luva, talvez a luva seja mesmo mais prática. 

Camila: acho que luva não rola, vc perde mto o tato, nem dedal eu consigo usar. Dá pra lavar, mas com mto cuidar, não por manchar, mas tem linha q começa a ficar mto “peluda”. Acho q o negócio é lavar as mãos de vez em quando mesmo.

Vanessa: primeiramentchy, nunca consigo bordar plenamente com gente olhando. Ás vezes até acho que to conseguindo, mas depois na tranquilidade da minha casa vejo que fiz algumas cagadas enquanto bordava sob pressão e acabo desmanchando. Sobre suar, faço intervalos mais ou menos 1 vez a cada hora (me dá muita dor nas costas e nas mãos, já fiquei até travada por 4 horas num sofá sem conseguir alcançar o celular pra pedir ajuda, rs), então acabo sempre lavando a mão nesse momento. Sobre o problema com as manchas, eu não lavaria um bordado depois de pronto porque você corre o risco de o tecido encolher e engruvinhar o bordado. Misture um tiquinho de vanish com água e esfregue com uma escova de dentes bem em cima da marquinha, a sujeira sai e você não corre risco nenhum.
E contra todos os males: borde em algodão cru que já tem cara de sujeira mesmo ahaha.


As linhas também podem sujar né? Pra trabalhar de um jeito sensato é melhor fazer de dentro pra fora, ou linhas contínuas e longas primeiro e mais curtas depois, ou não depende do comprimento mas sim das cores? Tipo, o que levar em consideração - é tipo fazer uma pintura?

Renata: sim, as linhas também podem sujar, ainda mais os tons mais claros. A dica do saquinho é boa porque todos os materiais ficam protegidos. Eu gosto de bordar de dentro pra fora, ou de cima para baixo, ou de baixo para cima, de forma que se mantenha uma direção para não ficar tendo muito atrito com o que já foi bordado (deu pra entender?). Dependendo da linha usada, se você fica passando a mão em cima muitas vezes ela solta uma penugem que deixa um resultado estético ruim, além do perigo de sujar. Sobre o comprimento das linhas, eu uso normalmente um tamanho de aprox. 25cm cada vez que coloco a linha na agulha. Usar pedaços muito extensos de linha aumenta as chances de dar nós ao longo dos pontos, além do que a tensão da linha sendo passada muitas vezes entre os buracos pode fazê-la arrebentar. 

Amanda: Eu também costumo fazer os pontos maiores ou mais trabalhosos primeiro para tentar não ter tanto atrito com eles depois. Renata arrasou nas dicas aqui em cima!

Vanessa: Ah gente, eu preencho o meu bordado da maneira mais caótica que vocês podem imaginar. Primeiro todos os contornos e depois camadas e mais camadas de detalhamento. O lance é que eu vejo a arte mais como uma ilustra do que como um bordado, daí uso a linha como se fosse um lápis mesmo. Nunca tive problema com linha suja.

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Depois do primeiro "rascunho", resolvi fazer o novo e definitivo com pano, linha e agulha diferentes. Achei que ia ser de boa, porque já vi como os pontos funcionavam, já tinha usado o bastidor, e pensado em todos os problemas que a gente está conversando agora. Mas Jesus, que dificuldade: a cada ponto uma preocupação diferente - é a linha que enrosca, o susto com os estalos que o pano dá com essa agulha grossa, e mais a força e toda a concentração que o serviço pede fora eventuais espetos de agulha,. É como treinar Mortal Kombat num Mega Drive e ser desafiado num Super Nintendo [minha idade tá aparecendo com essa analogia]. Isso é de se esperar? Cs fazem testes e "rascunhos" com frequência?

Renata: como estou bordando há 2 anos, normalmente começo a bordar direto no tecido definitivo, quando são os pontos que já estou habituada a fazer. Mas sempre que vou fazer algum ponto diferente ou misturar técnicas testo em um tecido de rascunho antes. Esses dias fui fazer uma aquarela em um bordado que tive que fazer 3 testes diferentes antes de ir para o risco definitivo. Bordar exige muita paciência, atenção e cuidado. Tenho aprendido muito com o bordado e trabalhado todos esses requisitos, além da ansiedade, programação e organização. É bem mais difícil do que parece, eu diria, hehe. 

Amanda: Izumi, eu nem acreditei quando você disse que os snaps que vi eram o rascunho de um bordado(!). Achei isso muito especial - num nível japonês de perfeição, é claro! Eu não conseguiria fazer um rascunho antes de uma versão definitiva. Acho que demoraria mais e acabaria sem ânimo para fazer a versão final, sabe? Com a prática, você vai encontrando o tamanho de linha ideal para trabalhar, as melhores agulhas e outros materiais. O bordado também é terapia para mim, e a maior delas é fazer algo do começo ao fim com minhas próprias mãos, já que sempre fui muito encanada de não saber desenhar ou me expressar visualmente. Então, para mim, é comum chegar ao fim do processo pensando que poderia ter usado outras cores, feito aquele ponto de outro jeito, mudado uma fonte… Mas esse ato de finalizar o bordado é importante pra mim, e assim vou tentando melhorar sempre nos desenhos e bordados seguintes. 

Vanessa: pra mim o rascunho é o desenho que faço no papel, não tenho muita crise com o resultado final, sigo o meu coração e vou confiante hehe Só que também não tenho preguiça de desmanchar. 50% do tempo que me dedico a bordar, passo desmanchando.

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E os dedos doem mesmo, ou tô doing it wrong? Minha mãe comentou que seguro a agulha errado, mas acho que funciona pra mim [tá que eu quebrei uma ao meio durante minha primeira aventura e também já furei meus dedos a rodo, mas agora já me ajeitei]. Vocês têm seu jeitinho especial de segurar agulhas ou existe mesmo um protocolo? Afinal, as regras são, em teoria, pra facilitar a vida né. Mas e se você for canhota? Tem alguma canhota entre vcs?

Renata: Acho que eu seguro do modo tradicional, com um dedão e o indicador segurando a agulha. O que acho que difere de pessoa pra pessoa é como a outra mão se comporta. Porque enquanto uma mão segura a agulha, a outra ajuda no apoio do tecido e bastidor. Eu sempre uso o dedo médio da outra mão para ajudar no avesso (mas para mostrar isso só em um vídeo eu acho, hehe. Sou canhota também, e a diferença é o sentido no qual bordamos (os canhotos sempre bordam de baixo pra cima, enquanto os destros de cima para baixo). Para os iniciantes sempre recomendamos a agulha número 7, ela tem um bom tamanho de buraco para passar a linha e não é tão grossa a ponto de marcar o tecido. A ideia é evoluir com o tempo e usar agulhas cada vez menores.  

Vanessa: eu seguro a agulha de um jeito diferente do das meninas, um jeito mais infantil talvez.. mas acho sussa, peguei uma agilidade boa e consigo fazer todos os pontos sem problemas.

Let's talk about nails. Cs acham que ajuda ou atrapalha? 

Renata: Acho que atrapalha. Mas eu não uso unhas longas há muito tempo. Sempre tive o hábito de fazer as unhas e elas estragam com mais facilidade quando se está bordando. Sem contar que vááárias vezes a agulha entra embaixo da unha e da pra ver estrelas de dor, e acho que com as unhas maiores a probabilidade disso acontecer aumenta. 

Amanda: Olha, eu gosto de unhas curtas, mas sempre que deixo crescer um pouquiiinho, no meu caso, sinto que ajuda. Especialmente para desfazer uns nós no avesso que você nem viu se formando ou, justamente, para fazer o apoio no avesso do tecido - esse mesmo que para a Rê machuca se encontrar com a agulha. Mas isso tudo é eventualmente, na maioria das vezes uso mais os dedos do que unhas nisso - e até hoje nunca usei dedal. 
Vanessa: Atrapalha mointo.

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E atrás do bordado? É importante não parecer um ninho de passarinho? 

Renata: olha, esse assunto é beeeeem polêmico. Os puristas do bordado dizem que se avalia um bordado pelo avesso. Os transgressores acham que avesso bom é avesso bagunçado. Eu gosto de avesso bonito. Acho esteticamente agradável e acho que condiz com o propósito do bordado, de mostrar o belo. Mas não julgo quem tem avessos desordenados, como também acho que existe beleza nos pontinhos tortos. 

Amanda: Vai do seu nível de perfeccionismo, hehe. Eu particularmente acho massa pensar o bordado também para o avesso, escondendo nós e deixando o mais próximo possível da frente. Mas não é uma encanação para mim, do tipo, que vou acabar uma linha antes ou mudar o que estou fazendo só para que o avesso fique perfeito. 

Vanessa: passei muito tempo em busca do avesso perfeito, agora desencanei um pouco. O tipo de bordado que gosto de fazer (aquele com hachuras) não permite um avesso maravilhoso. E pra falar a verdade, acho bem poético o avesso do bordado mais abstrato, um clima de voodoozinho. 

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E finalmente, como entrar no clima, como vcs gostam de trabalhar, o que não pode faltar? O bordado que entregarei pro meu amigo está sendo feito longe do sol, em casa, numa mesa e alternando entre o pc, de onde digito essa conversa, a pia do banheiro onde lavo a mão depois de digitar e mexer no touchpad, e o bordado, aqui do ladinho. De headphones, ouvindo podcasts e músicas cafonas. Qual o soundtrack de vcs?

Renata: eu gosto de variar os locais e posições em que bordo. Gosto muito de bordar na cama e no sofá, sempre variando a posição das pernas para não fazer mal à circulação. Sempre me policio para manter a coluna ereta, porque a tendência é virar uma concha em cima do bordado. Gosto de ouvir o podcast do “mamilos”, no B9, e de ouvir músicas também, mas depende do clima em que estou no dia para saber a trilha sonora. Som de televisão nunca, jamais! Acho que não pode faltar uma garrafinha de água enquanto borda, para não esquecer de se hidratar e alongar os braços, ombros e pescoço de tempos em tempos para não ficar com muitas dores. 

Aiii, amei responder as perguntas também, Izumi! Achei bem interessantes e coerentes seus questionamentos. Tudo lindo e quero ver essa publicação do sucesso logo <3

Amanda: Acho que até pela forma como o Clube começou, eu amo bordar conversando com mais gente! Já cheguei a ficar tão viciada nisso que chegava na casa de amigas e já ia sentando em roda tirando o bordadinho da bolsa - mesmo quando elas me esperavam para, sei lá, jantar! haha. Meu outro jeito muito preferido é bordar ao ar livre, de preferência num parque/praça/gramado. Caso nenhuma dessas possibilidades exista além do ‘ao ar livre’, tipo um café com mesas para a rua ou uma área de casa ou de centro cultural também são bem-vindos, eu amo esse ‘fora’, me dá uma energia boa que passa para o bordado. Em casa, gosto de bordar com a luz do dia e de preferência só ouvindo música, já que seriados ou coisas do tipo tiram minha atenção. ;)

Vanessa: gosto de ter bastante tempo pra bordar, se só tiver 1 horinha, nem cogito. Sou bem concentrada, quando começo vou longe. Gosto de escutar séries, podcasts e os canais mais esdrúxulos, daqueles que a gente esconde que assiste. Daí evito tomar café, porque me deixa trêmula, evito vinho tinto porque se dou aquela lambidinha na ponta da linha pra passar a agulha mais fácil, fico toda encanada de manchar. Não sou muito boa de bordar e conversar, então pra mim é um processo bem solitário.


E esse foi o papo com as meninas, espero que as dicas ajudem e inspirem quem tiver começando. Ficam os PS: Curta o Clube no Facebook e compre nosso bordado colaborativo [peça única para a coleção LovePorn]. PS2: O bordado-rascunho de "Gérard" está em display no Brechó Hipster, em Volta Redonda - RJ.

GÉRARD

Pintando e bordando.

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Faz um tempinho, meu amigo Marcus pediu que eu fizesse um bordado pra decorar o estúdio de tattoo. E mesmo sem muita experiência no assunto, peguei a encomenda. Eu já estava meio por dentro do craft acompanhando minhas amigas do Clube, e já tinha pego em agulhas ajudando minha mãe nos bordados dela. Usei essa chance para variar minha produção, que rolou assim:

So, this is my first venture in hoop art. I'm familiar with the craft because of my mom, who makes accessories and embroidery art, and because of my friendship with the Clube do Bordado girls [this year we've collaborated in the Valentine's collection "LovePorn", I made 2 drawings and Amanda embroidered them]. So when my friend Marcus asked if I'd make one for his family tattoo studio I said yes, excited to try my hand on this.

Marcus me deu o tema - um marinheiro - e me deixou à livre pra fazer o que eu quisesse. De imediato já pensei em cachimbos, bigodes e uniformes. Procurei inspiração nos meus arquivos vintage e encontrei no livro Secret Historian, presente do meu amigo Bert. O livro conta a vida de Samuel Steward, professor, tatto artist e fetichista por seamen. Uma vida fascinante, saca os snaps:

Marcus asked for a seaman [loves it], and gave me total freedom to do as I pleased. Before I even start I knew I had to do a smoking pipe, a cute sailor hat and a charming moustache. So I turned to my vintage files searching for inspiration, and found it in the book Secret Historian: The life and times of Samuel Steward, Professor, Tatto Artist and Sexual Renegade. A fascinating person and great read, check these snaps:

Os diários de Samuel me deram várias idéias, e as foros me ajudaram a sentir o clima da época e me envolver com os marinheiros franceses. Daí fui rabiscar - pensando no enquadramento redondo, decidi num busto, que rascunhei já estilizando e simplificando pra não me enrolar depois - afinal é o meu primeiro bordado né.

Steward's diaries gave me various insights on the lifestyle and the appeal of the french sailors of the ol' times. After this research, I went on drawing and came up with a bust, making it as light as possible and taking it easy on the detailing. I wanted to keep simple and cute - it's my first try, after all. 

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Desenhei um perfil de esquerda, que depois inverti como em moedas antigas. Além do cachimbo, o marinheiro tinha que ter uma tattoo, então fiz uma andorinha no estilo. Pra ter certeza que ficaria bom no bordado, finalizei o layout com Prismacolors, que me deram uma idéia de cores. 

Since I wanted the vintage feel, I stylized the character accordingly. After settling on the first pencil sketch, I made the final art using Prismacolor to emulate the thread width. At that time, I made some changes - a horizontal flip to give it a classic look, like the ancient coins, and added an sparrow tattoo to give him some flair.

Com tudo decidido, o negócio foi pôr a agulha pra trabalhar - fiz um primeiro bordado "rascunho" pra pegar as manhas usando linhas comuns. Trabalhei nele do começo ao fim, e depois passei pra um novo; maior e com linhas brilhantes, que ocupou meu Snapchat por uma semana e agora está a caminho do Marcus. 

Then it came the actual embroidery, time to draw with thread and needles. I started with a "sketch" piece to get used to it - I did this from start to finish, then went to make another using what I've learned. I came up with a bigger, better and brighter one, wich now is on its way to Marcus. All of this demanded me a week or two, and I posted snippets on Snapchat whenever I had a chance. 

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Se alguém interessar em uma cópia, tô aceitando encomendas. E fica o PS que um dos bordados que ilustrei pro Clube ainda está a venda e disponível para pronta entrega. Layout por mim e bordado pela dona Amanda. Fale com elas clicando aqui.